14 de agosto de 2011

Datong - ali logo ao lado de Pequim

Pertíssimo de Pequim, Datong possui 2 atrações imperdíveis: o Hanging Monastery (monastério suspenso) e a Yungang Caves (cavernas Yungang).

O primeiro é de dar vertigem para quem tem medo de altura (meu caso). Loucos e corajosos monges budistas de 491 DC penduraram-se em rochas verticais para construir um grande monastério em uma região bastante remota (agora nem tanto remota com a enorme barragem que construíram ao lado). Concordo que o local é magnífico e provavelmente inspirador, mas eu não conseguiria rezar em paz depois de observar os "gravetinhos" que seguram a construção.
Para visitar este lugar de Datong, são cerca de 1:30 horas de táxi (ida). A visitação completa pode ser feita em 2 horas com bastante tranquilidade.

Ó eu aí fazendo cara de feliz, mas completamente apavorada com os gravetos segurando a passarela  na rocha.
Mas para que me preocupar se é "made in China"?!

Tinha corrimão de "proteção" na altura dos joelhos!
Nada de tropeções por aqui!

Vista total da montanha e do monastério.

Dando uma espiadinha lá para baixo.

Tá aí um aviso importante!

Uma moderna represa foi construída logo ao lado do monastério.

As cavernas de Yungang são outra grande obra do Budismo datado do ano de 460 DC. Todo o local virou um grande parque, já que o governo construiu bonitas calçadas, jardins, lago, banheiros e casas de apoio para vender lanches.
Ao todo são 45 cavernas que podem ser visitadas (de um total de 252). Há cavernas com Budas esculpidos em diversas posições e um dos maiores chega a medir 17 metros. Alguns estão muito bem preservados (ou restaurados), com as cores ainda evidentes.


Passarela de entrada.

Complexo construído recentemente para atender turistas.

Calçadas largas e bancos para muitos turistas.

Este foi um dos Budas que mais me impressionou.
A entrada era estreita e escura, e eu não esperava encontrar uma
 estátua tão grande e iluminada por um buraco no topo da caverna.


Construções grandiosas e lindas!

Muitas "ilhas" de incensos na frente dos Budas.



11 de agosto de 2011

Para inspirar e continuar em movimento, aprendendo e degustando.



Quando viajamos ou fazemos algo diferente da rotina não nos damos conta de tantas paisagens, aprendizados, comidas, culturas, pessoas diferentes que passamos a conhecer, registrando tudo isso parte no consciente e muito no subconsciente. Só temos a certeza que voltamos diferentes, com uma bagagem maior, e que o tempo se estendeu. Pode-se viver várias "vidas" em um curto período de tempo, coisa que foi muito bem retratada nestes 3 vídeos abaixo:


3 caras, 44 dias, 11 países, 18 voos, 38 mil milhas, um vulcão em erupção, 2 câmeras e quase um terabyte de filmagens... tudo isso resultou na incrível série de 3 vídeos Move, Eat, Learn.


Eles conseguiram transformar uma viagem de 6 semanas em arte. Sensacional!
Não esqueça de assistir em tela cheia!








Rick Mereki : Director, producer, additional camera and editing 
Tim White : DOP, producer, primary editing, sound
Andrew Lees : Actor, mover, groover

9 de agosto de 2011

Viagem de trem de Pequim para Datong

A estação de trem impressiona: um belo prédio moderno e no seu topo construções de pagodas. No entanto, falta estrutura para uma locomoção mais fácil com malas de rodinhas, pois em muitos pontos há apenas escadas. Era um sábado quando fomos viajar pela primeira vez de trem na China e não sei se o movimento era, portanto, atípico, mas a estação estava realmente superlotada. Há dados estatísticos que afirmam que a todo momento há cerca de 10 milhões de chineses viajando de trem no país.

Uma das estações de trem de Pequim. Arquitetura moderna e antiga se misturam.


Pagamos por assentos na classe ¨hard seat¨ (aparentemente a mais popular), que nos explicaram era como um ¨sofá¨, porém não reclinável. Pareceu-nos adequado para uma viagem de 6 horas durante a tarde. Bom, para falar a verdade, o hard seat é mesmo bem durinho, com um fino acolchoado por cima só para dar uma melhor impressão. Ao chegarmos tivemos que expulsar uns chineses que estavam sentados em nossos assentos. Descobriríamos a seguir que metade das pessoas no vagão não possuía assentos, pois tinham adquirido o ¨standing ticket¨, ou seja, pagaram para viajar de pé. Resultado: tinham pessoas sentadas até nas pias dos vagões. Toda esta confusão e multidões amontoadas nos lembrou muito a Índia, exceto pelo fato que os vagões dispunham de ar condicionado e estavam até bem limpinhos mesmo na hard seat class. UFA!

Hard Seat Class

Fila para o banheiro? Que nada! É o pessoal do Standing  Ticket.


Dentre os passageiros destacavam-se os veteranos do ¨standing seat¨ que traziam até o seu banquinho desmontável para sentar nos corredores e sua garrafa térmica com chá verde. Os mais amadores, perambulavam de vagão em vagão com suas pesadas malas, na esperança de encontrar um lugar mais espaçoso.

Em nossa frente havia uma jovem chinesa com seu filhinho que insistia em nos oferecer batatas fritas lambuzada com molho do Mc Donalds. No meio de tanta gentileza ele manifestou vontade de ir ao banheiro, mas a multidão no vagão era tanta que a mãe do menino desistiu de levá-lo ao banheiro e fez ele fazer o seu xixi numa garrafa pet quase em cima dos pés do Rafael (lembrei-me do episódio na India em ...). Terminados os ¨trabalhos¨, voltou rapidamente a se entreter com suas batatinhas.

Classes nos trens da China, por ordem de conforto:

  1. Standing Ticket – para sofrer de pé ou sentado no chão.
  2. Hard Seat – adequado para uma viagem de curta duração e para ver ¨a vida como ela é¨ na China.
  3. Soft Seat – nem todos os trens dispõem desta classe. Possuem poltronas mais macias e reclináveis.
  4. Hard Sleeper - Triliches em um vagão comum. Acompanha travesseiro, lençol, cobertor e toalha. Nada mal se você não ligar para a falta de privacidade e não tiver o azar de ter gente roncando ao redor.
  5. Soft Sleeper - Cabine com 2 beliches, tomada e mesinha. Acompanha travesseiro, lençol, cobertor e toalha.



3 de agosto de 2011

We are pop Star 3 - China


Tem sido uma constante em minhas viagens pela Ásia o assédio de pessoas querendo tirar fotos comigo: um ser exótico numa terra de poucas etnias. Aqui na China as pessoas são bastante tímidas, mas as mulheres sentem-se mais a vontade para me abordar com suas câmeras e celulares mesmo sem falar uma palavra de inglês. E ficam muito felizes quando eu entro na delas e topo tirar as fotos que querem. Faço até pose com elas e a preferida é o ¨V¨ de vitória, ou como diria minha amiga Juliana W.: o ¨V¨ da Gisele Bündchen. Por que não faria isso e daria uma de arrogante afinal? Não temos a mesma curiosidade e fascínio por aqueles grupos étnicos que pouco temos contato? Claro que na Índia e na África, quando eu tirava fotos dos locais, muitos me pediam um trocado. Eu faço a gentileza para os curiosos da minha ¨etnia¨ de graça. ;-)

Com esta combinação de meias-calça acho que eu é que devia ter pedido para bater foto com ela...


Marca registrada nas fotografias
chinesas: mãos com o sinal de "V".
Intimidade: abraços de desconhecidas.






Grupinho de pré-adolescentes fascinadas!

Super amigas!

A "cereja no bolo" é no final da sessão de fotos o agradecimento: "Sink you" (afundar você), querendo dizer na verdade "Thank you" (obrigada). Assim espero...


Minhas outras experiências de pop star:



29 de julho de 2011

Cidade Proibida e golpe para turistas

Entrada para a Cidade Proibida.




A Cidade Proibida é uma das paradas obrigatórias de quem vai a Pequim. Bem no centro da cidade, de frente para a Tiananmen Square (a maior praça urbana do mundo, seguida posteriormente pela de Esfahan no Irã), possui um dos ¨cartões postais¨ mais famosos da China: a grande foto de Mao Tse Tung na entrada dos portões. No entanto, Mao não tem nada a ver com as belas construções da Cidade Proibida: todo o complexo foi construído nas dinastias Ming e Qing e foi de uso exclusivo destes imperadores por 500 anos. Pessoas comuns e não autorizadas que ousassem entrar na cidade eram executadas sumariamente.


Multidões de turistas chineses lotam diariamente o local.

Inúmeros corredores ligam pátios e residências da Cidade Proibida.
Estas grandes "baldes" de metal eram mantidos com água por toda a cidade proibida para o caso de incêndio.
Na base há lugar para fazer uma pequena fogueira para a água não congelar durante o inverno.


Hoje ninguém mais morre por entrar na Cidade Proibida, desde que pague a razoável quantia de 60 yuáns (aproximadamente 10 dólares) e você pode ficar um dia inteiro percorrendo os diversos pátios, casas, palácios e jardins.  Há restaurante e café para vender dentro do complexo, bem como inúmeras lojinhas de suvenirs bem ao estilo capitalista de ser.


Audio-guide em português com mapa.
Alugamos o ¨audio guide¨ por 40 yuáns e pasmem: tinha em dezenas de línguas, inclusive o português. O sistema vem com tecnologia wireless, sendo que quando você se aproxima de um item importante da cidade proibida, o aparelho automaticamente começa a falar. Muito bem feito.


Um belo filme produzido no local em 1987 é o famoso: ¨O Ultimo Emperador¨, filmado na cidade quase 10 anos após a morte de Mao Tse Tung e marcando definitivamente a abertura da China para o ocidente.

Todo o lugar nos lembrou muito a Disney: gente por todos os lados, guias com suas bandeirinhas sinalizadoras e muitas lojinhas. No entanto, poucos são os turistas ocidentais, assim como era na Índia.

Conseguimos ficar até a hora de fechar e fomos uns dos últimos a sair da cidade proibida. Vale a pena ficar até o final (se você não tiver medo dos guardinhas uniformizados “enxotando” os turistas) para ver e sentir o lugar sem a barulheira e confusão dos milhares de turistas.


"Oba! Estou sozinha na Cidade Proibida!"


O GOLPE DOS JOVENS CHINESES:

Passeando nos arredores de Tiananmen Square, quatro jovens se aproximaram amigavelmente (2 rapazes e 2 moças). Perguntaram de onde eu era e o papo começou a rolar. Eu, que adoro fazer amizades com os locais, fui me animando para trocar informações culturais. Uma das meninas logo manifestou forte interesse de saber mais sobre o Brasil e na sequência a outra rapariga propôs que sentássemos em algum local para tomar uma cerveja ou um chá para conversarmos.
Eu que não tinha lido as advertências do Lonely Planet ia cair nessa fácil, não fosse o Rafael que em português me advertiu que era um golpe. No que ele mencionou na conversa comigo as palavras "Lonely Planet", os rapazes sumiram no ato. As meninas ainda insistiram, mas aí desconversei e prossegui me despistando delas.
No mesmo dia a noite, um colega de trabalho do Rafa que mora na China nos avisou por telefone do golpe e para que nunca aceitássemos qualquer oferta para tomar qualquer coisa.
O golpe acontece quando vem a conta da "simpática" sugestão de sair para tomar algo: uma enorme "facada" de várias centenas de dólares por um simples chá ou uma cerveja. Os jovens chineses começam a chorar e a explicar que não possuem tamanha quantia, sobrando então a incumbência pelo pagamento ao turista desavisado.



24 de julho de 2011

Contando de 1 a 10 em Chinês com uma mão só



A comunicação na China definitivamente não é fácil. Pequim até que está bem preparada para os estrangeiros, com placas de trânsito e um razoável número de restaurantes com cardápio em inglês. Porém, fora da capital, de Shangai e Hong-Kong, a comunicação é um desafio até mesmo para os mais desinibidos.

Fato curioso que nos chamou a atenção é a linguagem de sinais para os números. Foi bom ter aprendido, pois conseguíamos perguntar que ônibus ou trem pegar apontando para o mapa. Além disso, na negociação de preços também é interessante ter este conhecimento. A linguagem de mãos para números é basicamente a seguinte:

  1. 一 : yī (como no Brasil)
  2. 二 : èr (como no Brasil)
  3. 三 : sān (como no Brasil)
  4. 四 : sì (como no Brasil)
  5. 五 : wǔ (como no Brasil)
  6. 六 : liù (faça um hang-loose)
  7. 七 : qī (junte as pontas dos dedos)
  8. 八 : bā (faça um L com o dedo indicador e o polegar)
  9. 九 : jiǔ (feche a mão e levante o dedo indicador dobrado)
  10. 十 : shí (mão totalmente fechada OU faça um X com os dedos indicadores das 2 mãos OU cruze o dedo indicador com o do meio)

0. 零 : lìng

Este hábito é tão difundido, que encontrei inúmeros vídeos na internet ensinando a contagem.
Vejam que fofo este:

20 de julho de 2011

Roteiro China para 2 semanas

Escolhemos as paradas a partir do roteiro histórico sugerido pelo guia de viagem Lonely Planet China. Para apenas 2 semanas, nos propomos a visitar as seguintes cidades:
  1. Pequim (chegada)
  2. Datong
  3. Pingyao
  4. Luoyang
  5. Xi´an
  6. Pequim (partida)

Caso eu pudesse replanejar a viagem para um ritmo mais calmo e proveitoso, cortaria a cidade de Luoyang deste roteiro, já que sua atração principal é muito similar com a cidade de Datong.


Exibir mapa ampliado

Um "pulinho" na China - leituras pré-viagem

Do Irã pode-se ir com vôo direto para muitos países da Ásia.
Para a China, pela China Southern, há um vôo bastante razoável para Pequim, com uma única parada no noroeste chinês, na cidade de Urumki. Entre decolagens e paradas, são aproximadamente 11 horas de viagem (Teerã - Pequim).

Em Urumki já deu para perceber que a comunicação não seria fácil na China. Ninguém falava inglês!
Concluímos que teríamos um intensivo de "imagem e ação" nas duas semanas que nos organizamos para conhecer a grande China.

Abaixo apresento uma pequena lista dos livros que li antes de realizar a minha primeira viagem para a China. Todos estes livros são histórias reais de mulheres que viveram em uma China de décadas atrás e dos tempos atuais. Segue por ordem de minha preferência:

         Cisnes Selvagens – três filhas da China, de JungChang  – fantástico livro que conta a história de 3 gerações de mulheres que viveram antes, durante e após a era Mao Tse Tung. Ótimo para entender também a história deste fascinante país e sua saga pré e pós comunismo.






      LAOWAI, de Sônia Bridi – adorei também este livro e só não está em primeiro colocado, pois trata de uma China atual, moderna e de grandes contrastes. Não há uma abordagem em termos de história antiga que eu precisava aprender, mas é ótimo para entender a China de hoje e seus desafios/barreiras culturais. Chorei e ri com as histórias da autora que também é Catarinense.





         As Boas Mulheres da China, de Xinran – cada capítulo deste livro é a história real de uma mulher na China. É bastante interessante, mas muito muito chocante e triste. Chorei o tempo todo.








         As Garotas da Fábrica, de Leslie T. Chang – a idéia do livro é boa, mas achei mal escrito e superficial. Aborda a vinda de garotas do interior para as grandes cidades, correndo atrás do sonho de conseguir trabalho e juntar dinheiro. Relata sobre as condições de vida nas fábricas, os turnos de trabalho e a solidão de muitas delas que se ¨perdem¨ umas das outras nas linhas de produção.

21 de junho de 2011

Fazendo o rancho no Irã

Sabe aqueles mercadinhos e banquinhas de frutas que existiam antigamente aos montes no Brasil? Pois aqui no Irã ainda é a forma mais popular de se fazer compras. Em cada bairro há dezenas deles e todo bom iraniano possui o seu carrinho de compras com rodinhas para fazer as suas comprinhas. Eu comprei o meu para poder carregar melões, melancias e pêssegos pelas ruas e me inserir no cotidiano local.

Carrinho de compras "típico".
Mercadinho na rua de baixo da minha casa.


Claro que há supermercados também. Inclusive, o mais famoso deles de nome Hyperstar (inaugurado em 2009), é a cópia fiel do Carrefour. Dizem que iria abrir como Carrefour, mas depois das sanções, acharam por bem mudar o nome. Mas tudo isso pode ser só intriga da oposição, já que há Hyperstar no Paquistão também. Seja como for, as 2 marcas se parecem demais, bem como o ambiente interno do supermercado.





Hyperstar Iran: setor de frutas.
Foto do Facebook do Hypertar.

Hyperstar Iran: setor da Nestlé.
Foto do Facebook do Hypertar.

Hyperstar Iran: setor de sorvetes!
Foto do Facebook do Hypertar.


Felizmente os mercados estão bem supridos de produtos locais e importados. A maior parte deles de fabricação iraniana também dispõe de explicação em inglês. UFA! Os produtos de limpeza são os menos adaptados para estrangeiros e muitas vezes nem uma única palavra está escrita em um alfabeto decifrável. O jeito é escolher apenas os que têm alguma explicação em inglês, nem que seja uma única frase do tipo "multi purpose cleaner" anexo de uma foto com uma cozinha brilhante. E aí, neste caso, esqueça as inúmeras explicações que constam no verso da embalagem, todas escritas em farsi.

Um elemento óbvio e de fabricação apenas local é sal. Não faria sentido para o Irã importar tal coisa, tendo o mar cáspio e o golfo Pérsico como fronteira. Assim, só encontrei embalagens escritas em farsi e confiei que uma delas seria sal por ter um tamanho e volume "adequado" para o consumível, bem como contava com um desenho de uma "sorridente cebola" fazendo sinal de "ok" na capa (que para o Rafa é um saleiro). Acertei: em casa constatei que era sal mesmo! Na próxima compra já faço um estoque.
Lembrei muito de um amigo nosso, Luciano, que morou no Japão e passou por isso. Contava ele que quando via um ursinho fofinho na embalagem, já sabia que se tratava de amaciante...

Nem preciso dizer que o primeiro rancho da casa demorou algumas horas nesta diversão de conhecer e decifrar embalagens. Alguns produtos são velhos conhecidos (tipo sopa em pacote ou caldo de galinha das famosas marcas), mas só a marca está escrita da forma que você conhece: todas as instruções estão em farsi. Coloque então sua memória para funcionar ou pesquise na internet o modo de preparo. ;-)

Alimentos. Marcas iranianas e internacionais. mas de fabricação local.

Material de limpeza.

Produtos importados.

17 de junho de 2011

Dia 12 de junho não é dia dos namorados no Irã



Fui encontrar com meus amigos iranianos e achei estranho encontrar uma das mulheres toda vestida de preto. Não que preto seja algo pouco usual no Irã, muito pelo contrário, mas há muitas pessoas que evitam esta cor. Preto por aqui não emagrace e sim entristece de tanta gente que usa.
Então, papo vai, papo vem, uma das colegas perguntou o motivo do uso do preto... "A de preto", de forma vaga e um pouco cínica, respondeu-nos que perdeu algo muito importante 2 anos atrás no dia 12 de junho...

Precisei da ajuda dos universitários para matar a charada: 2 anos atrás foi a re-eleição do atual presidente. Então fui advertida para evitar circular na Vanak Square, uma área de fácil alcance de onde moro e onde normalmente as pessoas se reúnem para protestar. Explicaram-me que os protestos são geralmente do tipo sem violência e mudos (ninguém fala nada). E dia 12 de junho seria muito provável de acontecer algo. Claro que já sabendo disso o policiamento também aumentou na data e pelo que eu saiba os poucos protestos que se iniciaram foram rapidamente dispersados pela guarda.

Aqui o movimento oposicionista é chamado "movimento verde". Já sabendo disso, evitei a compra de roupas com esta cor para trazer para o Irã...
Confesso que deu uma curiosidade de ir lá na Vanak no dia 12 e ver se iria acontecer alguma coisa, mas achei prudente esquecer e comemorar a data pelo seu significado brasileiro.

No encontro seguinte todos se perguntavam se "tinham ido fazer compras" no dia 12... A Vanak é também um centro comercial, o que justifica a passagem por lá para umas "comprinhas"...


Para saber mais:
http://www.insideiran.org/media-analysis/green-movement-holds-silent-protest-urges-more-demonstrations/

http://wagingnonviolence.org/2009/06/dont-give-up-on-nonviolence-in-iran/

PS: cabe destacar que na noite de véspera do dia 12, também se ouviam gritos das janelas dos apartamentos com frases do tipo "Deus é grande" (em farsi, óbvio!) e outras do gênero. Naturalmente os manifestantes gritam ocultos na escuridão. Esclareço ainda que esta particular frase foi lema da revolução de 1979 e tem sido usada nos dias atuais.

11 de junho de 2011

Darband - gastronomia e trilhas a 2 mil metros de altura

Darband fica numa região no norte de Teerã, ideal para um dia de lazer e felizmente pertinho de minha casa.
Chega-se lá por uma única estrada de mesmo nome, que vira uma ruela, que então vira uma escadaria para finalmente tornar-se uma trilha nas montanhas. Este trajeto é feito ao lado de um rio que depois se torna uma bela cachoeira subindo a trilha. A grande peculiaridade de Darband são as dezenas, ou talvez centenas de restaurantes e casas de chás que ficam encravados na montanha e às vezes até mesmo dentro do rio. Alguns restaurantes colocam tablados de madeira com tapetes por cima do rio, criando um clima "refrigerado" para seus clientes, especialmente agradável na estação de verão. Outros pegam mangueiras e borrifam água no entorno de suas casas de chás criando uma nuvem úmida. Tapetes persas e luminárias não faltam no local.

Início da trilha
Tablados de madeira com tapetes persas para os clientes dos restaurantes sentarem e desfrutarem.

Ontem saímos de casa após o café da manhã reforçado para fazer a trilha. Conosco apenas um boné, celular e dinheiro no bolso. Nem levamos mochila com mantimentos, afinal por toda a trilha, mesmo nos lugares mais altos, é possível encontrar alguém vendendo água, pepsi e cerveja sem álcool. O público de Darband é heterogêneo: desde moças com saltos altíssimos e super maquiadas - prontas para a paquera -, a mochileiros muito bem paramentados com seus bastões de trekking e roupas tecnológicas.

Eu fui de calça de trilha, camiseta dry-fit manga comprida, e tênis salomon. Como "acabamento", para adaptar-me à moda islâmica obrigatória, coloquei por cima uma camisa comprida tapando as nádegas e um lenço na cabeça. O lenço dá um grande desconforto térmico ao fazer esportes, mas a medida que avançávamos na trilha de Darband e nos afastávamos da "muvuca" de pessoas nos restaurantes pude perceber que as mulheres desfilavam mais livres de suas obrigações de vestuário: os lenços foram substituídos por bonés com proteções no pescoço ou mesmo por um simples boné com a aba virada para trás. Vez ou outra encontrava uma moça sem nada na cabeça descansando em um canto com amigos. Em outras ocasiões mais raras via mulheres de chador (pretinho básico completo da cabeça aos pés) e tamancos/ sandálias nada práticas para a trilha pedregosa. E eu, com o meu tênis poderoso, perguntava-me como estas mulheres conseguiam se equilibrar pelo caminho. Vale lembrar que um chador não tem botão ou zíper e para mantê-lo fechado deve-se usar as mãos por dentro do tecido. (para saber mais sobre CHADOR, veja as postagens de 2010 com o vídeo de como vestir um chador e a de conceitos da moda islâmica, ou ainda na wikipédia).


Já com a camisa amarrada na cintura e sem véu.

Faltando pouco para o ápice da trilha, dei uma "amarelada" e não quis prosseguir já que minhas pernas não estavam respondendo adequadamente e o fato de ter que continuar numa espécie de trilha/ escalada com um precipício ao lado não me animou muito. Vale destacar que nesta altura da trilha passamos por um "alojamento resgate" com um grande cartaz exibindo fotos de pessoas horrivelmente acidentadas na trilha. Nada estimulante... O Rafael, que possui falta de genes relativos à racionalidade vinculados à auto-preservação do seu "eu" [o que esperar afinal de um EX-(paraquedista, alpinista, esqueitista, surfista, etc, etc)?!], não hesitou em prosseguir enquanto eu aguardava em um local mais seguro ao lado de uma banquinha improvisada de refrescos. Pena que, sem ter considerado este fato, o dinheiro ficou no bolso da calça do Rafael... :-P
OK então: uma hora de espera sem nada para beber. Pelo menos ganhei uma bala de um dos trilheiros que por ali passou (achei que já estava grandinha para aceitar balas de estranhos).

Advertência quanto à acidentes nas montanhas. Sinistro!



Mais aliviada pela decisão tomada: daqui eu não passo!


Ponto de desistência/ início da "escalaminhada".

Vista da etapa final da trilha. Desisti na metade do que aparece nesta foto.

Avisos em farsi. Só entendi a altitude e as caveiras.

Alojamento no alto da montanha (foto tirada pelo Rafael). Considerando agora que os caras levaram todos estes tijolos até lá, devo reavaliar o grau de risco da trilha para uma próxima vez.


No total, são mais de 1000 metros de altitude entre o início da trilha e o ápice de um dos picos da cadeia de montanhas. No alto há um pequeno restaurante e alojamento, e de lá é possível prosseguir por outra trilha para alcançar o teleférico de Tochal (onde há uma estação de esqui). Acho que em uma próxima vez, mais preparada psicologicamente e não tendo que retornar pela mesma trilha, prosseguiremos por esta rota.

A descida da trilha requer, se os têm, bastões de trekking para poupar os joelhos. Além das pedras, alguns trechos estão molhados e são bastante escorregadios. No entanto, a certeza de uma parada em um dos agradáveis restaurantes para desfrutar da gastronomia local ajuda na motivação. Prato principal: naturalmente um kebab com arroz. Incrementamos a opção pedindo uma "badendjam" (beringela) refogada com lentilha/ cebola/ etc e petiscos de azeitonas com pasta de castanhas. Adoro!

Badandjam com iogurte por cima (para comer com pão ou arroz).

Arroz, pão (em baixo do prato de arroz), kebab, folhas de um tipo de manjericão mentolado, salada e azeitonas com pasta de castanhas.


É praxe no Irã tomar chá. Quando você o pede, é certo que virá com tâmaras e um pirulito de açúcar. Este normalmente é colocado na xícara para adocicar o chá ou mesmo para amolecê-lo e ser então mordiscado. Fica a critério do freguês. Deixá-lo de lado também é permitido. ;-)

Chá, pirulitos e tâmaras.

Rafael pediu um narguilé no final "só para relaxar" da trilha.
Related Posts with Thumbnails