4 de agosto de 2012

Eu vejo flores em você!


Eu vejo flores no Irã!

Nossa falta de conhecimento sobre países como o Irã faz nossa imaginação criar cenários desérticos, sem água e sem cor nas terras onde reinou um dos maiores impérios já registrados na história. Não é a toa que o império Persa tenha se desenvolvido tanto nas artes e na arquitetura: tinha um cenário diversificado para se inspirar. Sim, desertos, mas também montanhas, cânions, rios, cachoeiras, florestas altas e rasteiras. E o clima também não é monótono: calor extremo e frio de congelar.

Com tantas montanhas, o montanhismo é o esporte popular, apesar de vermos de longe trilhas aparentemente áridas e monocromáticas. Os picos nevados dão a inspiração para a caminhada, e pelas trilhas vou; vendo outras montanhas, outras cores, outro Irã. A cada passo uma nova cor: vermelho, amarelo, branco, azul. São tantos os tons que é preciso ver mais de perto para apreciar a forma e tamanho. Flores! Flores por todos os lados! Para os botânicos e entomologistas um prato cheio!

Assim também me dou conta por que existe tantas marcas de mel e lojas específicas do doce produzido pelas abelhinhas aqui no Irã. Há um enorme potencial natural, aproveitado por muitas "fazendas de mel" que são facilmente encontradas pelas rodovias.

Assim é o Irã: se você quiser ver de longe, verá algo simples, sem cor e árido. No entanto, se quiser ver de perto, verá sofisticação, cores e riqueza.

Muitas fazendas de produção de mel são vistas pelas montanhas do Irã.




















Flores com 2 metros de altura.








28 de julho de 2012

Torre Milad: uma das maiores torres do mundo!


Uma das primeiras imagens que um estrangeiro vê ao chegar no Irã é a torre Milad inaugurada em 2009. Imponente com seus 435 metros de altura e particularmente muito bonita com sua iluminação noturna, não tem como não ser notada. Nos últimos 2 anos, com a construção de outras 2 torres enormes na China e no Japão, a Milad Tower perdeu posições e hoje é a sexta maior torre do mundo. Ainda considerável, pleiteia o primeiro lugar no que diz respeito ao maior restaurante giratório do mundo com capacidade para 300 pessoas a 276 metros de altura. No entanto, almoçar ou jantar neste local não sai por menos que 100 dólares por pessoa (e isso sem um pingo de álcool obviamente!).

Além da bela estrutura e do restaurante giratório, o complexo conta ainda com galeria de arte, cinema, salas para conferências com diversas capacidades (66, 100, 110 e 196 pessoas) e um teatro de 2 andares com capacidade para 1700 pessoas.

Para visitar a torre é bastante fácil. O estacionamento custa apenas 3.000 tomans (ou 30.000 rials, aproximadamente 2 dólares) e para subir até o open observation deck (7o andar a 280 metros) são mais 9.000 Tomans por pessoa. O preço é bastante razoável e é possível divertir-se por algumas horas no local com uma das vistas mais incríveis da capital Teerã. Para os que não podem ou não querem gastar absurdos no restaurante giratório, há uma lanchonete e um restaurante servindo massas e sorvetes por preços normais no térreo da torre, logo ao lado da lojinha de artesanatos. ;-)



Vista da parte Norte de Teerã com a cadeia de montanhas Alborz ao fundo.

Vista para a parte Sudeste de Teerã

Teerã também tem "tesourinhas" como Brasília.

Sombra da torre.




Miniaturas das torres "concorrentes".
Torre Milad.




As sete maiores torres do planeta.
A torre de Teerã aparece em 6a colocada.
Fonte: Wikipedia



21 de julho de 2012

Em algum lugar perto de Teerã



Há pouco mais de uma hora de carro de Teerã, é possível fugir da grande capital e desfrutar de paisagens totalmente diferentes.
Para chegar a este local chamado Lar Valley, é prudente que o passeio seja feito com um carro 4x4. A estrada passa por diversos rios rasos e por ela há pedras e valas.
Pastoreiros e suas ovelhas estão por todos os lados. Têm suas barracas armadas em meio às montanhas, pelo vales que sempre proveem um rio de água potável. Gramados extensos com flores coloridas e picos que parecem que saíram do filme Senhor dos Anéis. Sempre a vista, o monte Damavand completa o cenário. 
Para quem gosta de piqueniques e camping um prato cheio já que no Irã não há qualquer restrição para este tipo de atividade.
Dentre tantas surpresas escondidas há ainda um lago de água extremamente fria que borbulha soltando gás sulfúrico. Lindo e fedido.  


Para passar pelos diversos rios pelo caminho é recomendável carros 4x4.

Local para camping e piquenique.

Pastoreiros moram no meio desta linda paisagem colorida.

Vários ciclistas fazem seus treinos por aqui.

Lago de água e gás sulfúrico.

Cenário de filmes.

Lago da barragem de água doce.

Fazendas de mel.

Pastoreiros são ajudados por cães.

14 de julho de 2012

O que você deve ou não deve fazer no Irã



Deve:


  • Vestir-se conforme os costumes locais, especialmente quando você estiver em vilarejos e desacompanhada de um grupo de turismo.


  • Tirar os sapatos quando entrar nas mesquitas ou em áreas com tapetes nas casas. Nestes casos é adequado estar com uma meia.


  • Trazer sempre um pequeno presente quando convidado para jantar. Flores ou doces são sempre adequados. Insista na entrega do presente caso o anfitrião não aceite. É um costume iraniano repetir este tipo de ritual por 2 ou 3 vezes (negar e você insistir até finalmente o presente ser entregue).


  • Elogiar a casa, a comida e a hospitalidade dos anfitriões, mas nunca elogiar objetos da família, pois eles se sentirão na obrigação de oferecê-lo a você como presente.


  • Ter o endereço do seu hotel ou destino escrito em farsi (muitos taxistas não falam ou lêem outra língua).



Não deve:


  • Discutir política, religião, direitos das mulheres, e outras questões controversas, exceto se você estiver na companhia de amigos e pessoas conhecidas.


  • Estender a mão para cumprimentar o sexo oposto. Pessoas estranhas não se tocam normalmente, a não ser que seja uma pessoa mais ocidentalizada e que tomará a iniciativa para o cumprimento de mãos. Casais podem apenas andar de mãos dadas, mas nunca se beijam em público. Homens e mulheres normalmente dão 3 beijos no rosto quando se encontram (mulheres beijam mulheres e homens beijam homens).


  • Mostrar indignação quando vistoriado fisicamente por oficiais do aeroporto.


  • Fazer sinal de positivo / mostra o polegar. Este gesto é ofensivo, comparável com mostrar o dedo do meio na nossa cultura.


  • Beber bebidas alcoólicas obtidas no mercado negro. Estas podem ser perigosas para sua saúde.



Sinal de positivo é ofensivo no Irã. Evite-o.


7 de julho de 2012

Vegetarianismo no Irã - o que procurar na culinária persa


Ser vegetariano no Irã não é coisa fácil, especialmente se depender dos restaurantes comuns fora de Teerã. A base de quase todos os restaurantes iranianos é o kebab, com variantes nos diversos tipos de carnes existentes: carneiro, gado, frango, peixe. Eu que não sou vegetariana fico muitas vezes entediada com a falta de criatividade. Quando estive no Irã a turismo por 15 dias (antes de vir morar), tive a impressão que a culinária persa resumia-se a meia dúzia de pratos e todos de carne. Um grande engano.

Iranianos saem de casa para comer aquilo que não fazem em suas residências: churrasco. "Faz muita fumaça", alguns tentam me explicar. Em suas casas, os pratos são normalmente cozidos, com ou sem carne, e sempre com muitos legumes (berinjela, lentilha, grão de bico, tomate, cebola) e especiarias. Lamentavelmente a comida das casas dificilmente é encontrada nos restaurantes.

Perguntei aos poucos vegetarianos que conheci aqui no Irã o que comem quando viajam e vão a restaurantes: confirmam que não é fácil achar pratos sem carne e quando não há mesmo opções, ficam nas saladas mistas, iogurte e pão. E nem adianta tentar explicar para o garçom que você aceitaria um prato simples de legumes refogados: eles não sabem ser criativos e apontam apenas para o menu. O próprio conceito de ser vegetariano é complicado para os iranianos. Eles não entendem. Acham que peixe não é carne, e que basta você separar as carnes dos cozidos no seu prato mesmo, não importando que tudo foi cozido junto.

Iogurte natural é um item quase indispensável na culinária persa, especialmente com as entradas, e super adequado para ajudar vegetarianos. Há os puros, temperados com ervas, com pepinos, com berinjela. As opções são muitas. Há também as bebidas de iogurte: uma água branca e salgada, podendo vir inclusive com gás e menta. Bebem principalmente com as refeições e seu nome é Doogh (em português pronuncia-se "dur").

Dentre os poucos pratos vegetarianos que conheci e adoro no Irã estão: o kashk-e badenjam e o mirza ghasemi. Ambos são feitos com berinjela; o primeiro com cor esverdeada tem como gosto predominante a menta, e o segundo de cor vermelha, é a base de ovos e tomate. Estes pratos normalmente são servidos com pão como aperitivo, mas caem muito bem como prato principal, leve e saboroso.

Para os que apreciam cozinhar, deixo aqui a receita de ambos:

Kashk-e Badenjam

O aspecto não é dos mais bonitos, mas é delicioso.
  • 8 berinjelas japonesas ou chinesas picadas  em cubos
  • 1 xícara de óleo
  • 3 cebolas grandes, descascadas e picadas
  • 6 dentes de alho, descascados e picados
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 colher de chá de pimenta preta fresca
  • 1/2 colher de chá de cúrcuma (turmeric)
  • 3 colheres de sopa de menta seca em flocos
  • 1/2 colher de chá de melaço ou açúcar
  • 1/2 xícara de kashk (Este ingrediente é típico do oriente médio. Pode-se substituir por coalhada ou creme azedo) diluído com 1/2 xícara de água. Eu particularmente não faço questão deste ingrediente.
  • 1/4 colher de chá de açafrão diluído em uma colher de sopa de água quente.

Enfeite:
  • 1/4 de xícara de nozes torradas e picadas
  • 1/4 de xícara de tâmaras
  • 1/4 de xícara de folhas frescas de menta

Modo de preparo:

Aqueça 1/4 da xícara de óleo em um frigideira e frite as berinjelas pouco a pouco até que fiquem bem douradas. Acrescente mais óleo se necessário. Remova as berinjelas em um papel toalha e reserve.
Adicione mais óleo na frigideira e frite as cebolas e o alho até que fiquem dourados. Adicione o sal, pimenta, cúrcuma, menta em flocos e o açúcar. Adicione as berinjelas à frigideira juntamente com meia xícara de água. Cubra a frigideira e deixe cozinhar por 15 minutos até que as berinjelas fiquem bem macias. Depois com ajuda de uma colher, tente desmanchá-las ainda mais.
Pré-aqueça o forno em 180 C. Passe a berinjela da frigideira para um refratário e por cima jogue o kashk e o açafrão. Leve ao forno o prato por mais 15 minutos.
Sirva quente e decore com as nozes, tâmaras e menta fresca.

Mirza Ghasemi

Mirza Ghasemi (aperitivo vermelho) e 2 opções de iogurte com legumes e berinjela.

  • 2 berinjelas grandes com casca
  • 3 ou 4 tomates grandes, sem casca e picados *
  • 5 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 3 dentes de alho, descaascados e finamente fatiados
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 colher de chá de pimenta preta fresca
  • 1 colher de chá de cúrcuma (turmeric)

OVOS:
  • 2 dentes de alho, descascados e relados
  • 4 ovos batidos com 1/2 colher de café de sal

Enfeite:
  • pães torrados
  • 1 xícara de folhas de manjericão

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno em 180 C.
Coloque as berinjelas inteiras no forno, apenas com pequenos furos na casca feitos com garfo para que elas não "explodam". Cozinhe elas por 60 minutos.
Retire as berinjelas do forno, descasque-as e pique em pequenos pedaços para que elas se desmanchem mais facilmente.
Aqueça 4 colheres de sopa de azeite em uma frigideira e frite metade do alho. Adicione o sal, pimenta, cúrcuma, os tomates e as berinjelas e refogue de 5 a 10 minutos até que todo o excesso de água tenha sido absorvido.
Faça 4 furos na pasta e despeje 1/2 colher de chá de azeite e 1/4 da porção de alho relado em cada buraco. Distribua igualmente os ovos batidos em cada buraco e cozinhe em fogo baixo de 10 a 15 minutos até que os ovos fiquem firmes. Mexa gentilmente com uma colher de pau.
Decore e sirva quente com pão.

* algumas receitas adicionam extrato de tomate também para acentuar a cor vermelha.

Outras opções de pratos vegetarianos persas, porém mais raros de serem encontrados, são:


- Kookoo-e sabzi
- Naaz khatoon
- Nargesi esfenaaj
- Borani esfenaaj
- Kookoo-e baademjan
- Kookoo-e gol-e kalam



Nush-e Jan! / Bom apetite!



29 de junho de 2012

Steve Jobs no Irã


Uma notícia da última semana envolveu o Irã e a Apple em uma grande polêmica. Ao que parece, uma loja Apple dos Estados Unidos recusou-se de vender um IPad para Sahar Sabet, uma mulher de 19 anos de origem iraniana, mas com cidadania americana. O vendedor da loja "descobriu" sua origem ao ouvi-la falar em farsi. Alegando ser política da empresa, o vendedor recusou a venda.

Racismo, desinformação ou hipocrisia?

Para ter acesso a diversas notícias sobre o assunto, basta "googlear" na internet as palavras chaves: apple, iraniana, etc (em português ou inglês) e em diversos sites o assunto estará em destaque.

Armado todo este circo, questiono:
1 - por que entre os idiomas de possível escolha para o iPhone, não encontramos a língua e o teclado farsi/ persa como uma das opções?
2 - por que no Irã não consigo acessar o App Store, mas simulando estar em outro país através de uma VPN tenho como baixar diversos aplicativos "iranianos", como agenda persa, tradutor, radio em farsi, poemas persas, guias turísticos e até a constituição do Irã?!
3 - sendo verdadeiramente um política "anti-Irã" (negado pela Apple, mas constante em seu site - ver figura abaixo), como pode o iPhone ser o modelo mais popular de celular no Irã?
4 - Qualquer pessoa bem informada sobre o que vem ocorrendo no Irã sabe que todos os mais recentes movimentos de protestos contra o atual governo foram organizados através de SMS e internet. Não seria um contrassenso impedir a venda de aparelhos Apple para cidadãos iranianos, sendo justamente de interesse americano que os jovens se comuniquem e se articulem contra o governo deles?

Página da Apple com política anti-Irã e demais países da "lista negra".


Bibliografia do Steve Jobs em Farsi
Lojas oficiais da Apple são inexistentes no Irã, mas seus produtos são comercializados em tamanha escala, no país Persa, que impressiona. Qualquer shopping e grande avenida têm iPhones, iPads, i-blablabla, dos modelos antigos aos mais recentes sendo comercializados com preços similares aos praticados nos Estados Unidos! Todos desbloqueados e acessíveis sem fila de espera ou plano de celular vinculado. Milagrosamente estes milhares de produtos aparecem no mercado iraniano com cara de contrabando, mas possivelmente chegam aqui com a conivência da Apple. Assim como diversas outras marcas internacionais, oficialmente elas não estão presentes no Irã, mas na prática não querem perder um mercado de 75 milhões de pessoas, com 70% abaixo dos 30 anos.


Aconteceu conosco:

Na semana passada, a tela do iPhone do Rafael quebrou em uma queda. Seria um problema para trocar se estivéssemos no Brasil. Em Teerã, em poucas horas, você consegue uma tela novinha em folha por 150 dólares em uma das diversas "Apple Clinic" existentes. ;-)

Concluindo:

Minha opinião quanto à pergunta do início desta postagem é que todo este blá blá blá é uma grande hipocrisia comercial. A Apple finge que não está no Irã e que faz sanções contra o "país do mal", mas tem aqui um dos maiores mercados consumidores e crescentes do mundo. O pobre vendedor da loja americana que agiu seguindo a política apenas "de papel" da Apple, mal sabe que não há risco algum de vender um exemplar para uma cidadã americana de origem iraniana. Não faz sentido algum imaginar que um iraniano nos Estados Unidos enviaria um iPad com interesses "obscuros" para um país "do mal" já dominado pela marca Apple.

Apple Clinic onde trocamos a tela do iPhone.

Shopping Paytakht Computer Complex:
vários andares com lojas vendendo computadores, câmeras e celulares.

Uma das centenas de "lojas Apple" de Teerã.

Corredores de um dos maiores shoppings de eletrônicos e celulares de Teerã:
o Iran Mobile Market.

Uma das dezenas de reportagens veiculadas na televisão:



Iranianos e simpatizantes fizeram protestos em loja Apple da 5a avenida em Nova Iorque no último dia 21/06:




23 de junho de 2012

Invenções e descobertas dos Persas


Os persas são famosos por inúmeras invenções e descobertas. Dentre elas, pesquisei e destaquei uma lista interessante. Para saber a fundo sobre cada item, coloquei links para outras páginas que explicam historicamente com maior detalhe cada citação.

Curiosamente há itens que hoje são proibidos pelo governo do Irã, como o vinho e os jogos de azar. No entanto, os iranianos são muito orgulhosos de sua história e cultura milenar, e gostam de destacar especialmente os itens "proibidos": "Did you know that the wine was discovered in Iran?".


SISTEMAS E MODO DE VIDA



O cilindro de Cyrus é reconhecido como sendo o primeiro tratado de direitos humanos da história 



COMIDA



  • Refrigerador - 400 A.C., um grande prédio chamado Yakhchal.
  • Sorvete - 400 A.C.
  • Água de rosas - processo desenvolvido pelos persas.
  • Iogurte
  • Vinho - 5400 A.C. segundo descoberta feita pela Universidade da Pensilvânia nas escavações em Hajji Firuz Tepe, no norte do Irã. Há controvérsia sobre a origem, mas os vestígios mais antigos de vinho foram encontrados nos territórios da Armânia, Georgia e Irã.
  • Cerveja - até a cerveja foi inventada pelos Persas!
  • Biscoitos - 700 D.C.
  • Pêssego - nome científico: malum persicum (maçã da Pérsia).
  • Romã - uma das frutas símbolo do Irã. As tâmaras também são orgulho nacional.
  • Pistache - originário da Pérsia, os melhores e mais saborosos ainda são produzidos no Irã, que permanece há anos como o maior produtor do mundo deste fruto seco.




MEDICINA

O livro "O Físico" (The Physician), título pessimamente traduzido para o português já que a correta tradução para "physician" é "médico" ("físico" seria physicist), relata a história da medicina na idade média, explicitando que a Pérsia era o local com o maior conhecimento do assunto na época. 

A cidade destaque de um dos capítulos é Esfahan, hoje uma das cidades mais bonitas do Irã na minha opinião.




Dentre as grandes contribuições dos persas para a medicina podemos destacar:

  • Uso do álcool na medicina - 864 D.C.
  • Primeiro livro da medicina moderna - 980 D.C., criado por Avicenna
  • Primeira escola de medicina - 271 A.C., onde ensinavam também filosofia, teologia e ciências.
  • Anestesia - 1000 D.C. para o nascimento de Rostam.
  • Cesária - 1000 D.C. para o nascimento de Rostam.


INSTRUMENTOS MUSICAIS


  • Guitarra (guitar) - 5000 A.C. - a palavra "gui" significa "três" (no persa antigo) e "tar" significa "corda" em persa. Originalmente este instrumento tinha apenas 3 cordas.
  • Mais antigo ancestral do Piano - 266 A.C. chamado de santur.


ROUPAS

  • Sapatos - 3000 A.C. achado em território dominado pelo império Persa.
  • Sandálias - 3000 A.C.
  • Botas - 3000 A.C.
  • Calças - as primeiras calças foram vestidas no período Aquemênida.


ESPORTES

  • Gamão - 3000 A.C. escavações encontraram antigos artefatos do jogo  (Backgammon) em território iraniano.
  • Pólo - 521 A.C., era o esporte dos reis persas.
  • Xadrez - há controvérsia se teriam sido os persas ou os indianos os inventores. No entanto, a evidência mais antiga deste jogo datada de 600 D.C. foi encontrada em território Persa.
  • Pôquer - 1600 D.C. - através do jogo chamado As Nas. Algumas regras mudaram desde então, mas o escritor Robert Frederick Foster afirmou em seus livros que a origem do jogo Pôquer é mesmo Persa.

Miniaturas: caixas de osso de camelo com pintura a mão retratam os jogos de pólo na Pérsia.


DIVERSOS


  • Ovos de páscoa coloridos - os persas iniciaram esta tradição em 3000 A.C. para comemorar a primavera. Os cruzadas retornando do Oriente Médio espalharam o costume que foi adotado pelos Europeus para comemorar a Páscoa.
  • Torres de vento - 632 D.C. - torres de vento horizontais.
  • Ar condicionado - construções envolvendo cisternas e torres de cento refrescavam as casas dos persas no verão. Esta técnica ainda é usada em vilarejos e casas mais simples no Irã.
  • Álgebra - através de matemáticos importantes como Khwarizmi, Omar Khayyám, Sharaf al-Din al-Tusi, Al-Karaji.
  • As mil e uma noites - história contada por Sheherazade.
  • Bazar - palavra persa que significa mercado.
  • Tulipa - ou laleh na língua persa.
  • Rosas
  • Bigas - 2000 A.C. - também conhecidas por carros romanos.
  • Colchões d'água - 3600 A.C. feitos de pele de carneiro.
  • Taj Mahal - um dos principais símbolos da Índia é na verdade persa.
  • Canal de Suez - 500 A.C. - foi primeiramente completado pelo rei Dário I da Persa. Na era moderna, a companhia Suez reconstruiu o canal no século XIX.
  • A arte das miniaturas - 2600 A.C.



Fonte: Melody Hossaini e Wikipédia.


16 de junho de 2012

Você sabe que está no Irã quando:




  1. Nos restaurantes, ao invés de garfo e faca, você recebe garfo e colher para comer o kebab. Facas você encontra apenas nos restaurantes internacionais.
  2. Metade da frota de carros é SAIPA.
  3. 80% dos carros tem em seu pára-brisas uma caixa de lenços de papel. Os demais guardam no porta-luvas ou na lateral das portas.
  4. Você encontra uma floricultura em cada quarteirão.
  5. Todos os viadutos e praças são iluminados com neons. As cores mais usadas são vermelho, verde e azul.
  6. O sorvete preferido e orgulho nacional é o de açafrão.
  7. É bacana desfilar com curativos no nariz para que outros saibam que você fez cirurgia plástica.
  8. Os vendedores de frutas sempre oferecem bananas quando percebem que você é estrangeiro.
  9. Não é difícil encontrar estranhos distribuindo comida e bebidas nas ruas: estão festejando feriados, comemorando boas novas ou homenageando uma pessoa querida que faleceu.
  10. As recepções dos hotéis são ornamentadas com bandeiras de todos os países, exceto dos EUA e de Israel.
  11. O grande sucesso da decoração de interiores são móveis que parecem da época do rei Luis XV: muito dourado, brilhos e veludo com cores extravagantes. Nos jardins, chafarizes são indispensáveis.
  12. No verão, as calçadas em frente a residências e comércios estão sempre molhadas para amenizar o calor e a secura do clima.
  13. Nos parques, o esporte popular é o Badminton.
  14. Os elevadores sempre tocam musiquinhas e a preferida é a do filme "O Poderoso Chefão".
  15. A árvore omnipresente em Teerã é o plátano.
  16. O taxista diz que a corrida “não custou nada”, esperando que você insista para pagar. Depois, cobra mais do que a corrida vale e você precisa negociar o preço.




O Irã é um dos países com maior número de cirurgias plásticas no nariz.

Recepções de hotéis e restaurantes saúdam seus clientes com suas bandeiras.
A foto do antigo e do atual líder supremo também faz parte da decoração dos estabelecimentos comerciais.

Ao perder clientes na área das casas noturnas (não mais existentes no Irã), o mercado de venda de luzes coloridas desviou seu foco para viadutos e praças públicas. ;-)

Lenços de papel são mania e necessidade no Irã.

Iranianos montam mesa na rua para distribuir doces e sucos a todos que passam.

Badminton é tradição nos parques.


Apesar do clima seco, os plátanos são mantidos pelos canais de irrigação que se espalham pela cidade.

9 de junho de 2012

Irã: as 7 Faces de uma Civilização



Um vídeo muito bom para se ter uma idéia histórica do Irã é o chamado "Iran: Seven Faces of a Civilization" (Irã: sete faces de uma civilização). O vídeo é bem ilustrativo, pois além de pegar imagens atuais, faz várias simulações em 3D para mostrar ao expectador como eram incríveis as construções persas que datam de 500 a.C. Infelizmente o vídeo é todo narrado em inglês sem legendas, mas as imagens valem a pena mesmo para quem não entende muito a explicação.

Na internet é possível ver este vídeo inteiro pelo Google Vídeo, no link: http://video.google.com/videoplay?docid=-5356229498218843348

É possível também vê-lo pelo YouTube, porém dividido em 8 capítulos (cada um com menos de 10 minutos):











2 de junho de 2012

O trânsito em Teerã


O trânsito no Irã, especialmente em Teerã, está longe de ser civilizado. Toda a educação e gentileza que os iranianos tem com as pessoas no tête-à-tête é sumariamente ignorado dentro de seus carros na disputa por quem consegue ser mais "esperto" e trapaceiro nas estradas. Aqui a lei da física de que 2 corpos não podem ocupar o mesmo espaço é desafiada diariamente. E os engarrafamentos são muitos! Tantos que no centro de Teerã também há o rodízio de carros como em São Paulo.

Faixas de pedestres são enfeites. Afirmo que o único risco que uma pessoa pode sofrer no Irã é um atropelamento ou acidente de carro. O resto dos supostos perigos são intrigas da oposição. O Irã é um país muito seguro, exceto no trânsito!

Nos primeiros meses em que aqui estive, afirmei com todas as minhas convicções: "nunca vou dirigir neste país de motoristas malucos". Os meses passam e você se acostuma. A vontade de ir mais longe de carro supera a selvageria das ruas, que agora já nem acho tão ruim. Dirigir na contra-mão, fazer 2 pistas virarem 3 ou 4, motos nas calçadas e sem capacetes, ignorar totalmente o guarda de trânsito que para nada serve; tudo isso é normal e ninguém reclama. As únicas vezes que alguém buzinou para mim foi quando respeitei o sinal vermelho do semáforo. Todas as demais barbeiragens são aceitas e há uma formidável tolerância por aqueles que estão fazendo tudo errado.

Curiosamente as pistas exclusivas para ônibus, implantadas há cerca de 2 anos, são respeitadas. E os velhos ônibus estão sendo trocados pouco a pouco por novos e confortáveis veículos. Uma maravilha!

Em meio a tudo isso, comecei a observar uma campanha educativa divertida, colorida e moderna nos pontos de ônibus. Bonitos cartazes passam mensagens pelo maior uso de transporte público e até pelo uso de bicicletas que ainda são raras na cidade (o iraniano prefere usá-las nos parques). Um bela iniciativa por um trânsito mais civilizado no futuro...


Campanha advertindo quanto a poluição causada pelos automóveis.

Campanha pelo uso de transporte coletivo.

Campanha para o uso de transporte coletivo (2).

Campanha para o uso de bicicletas.

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