2 de abril de 2012

Livros sobre o Irã


A lista de livros sobre o Irã é quase infindável especialmente na literatura estrangeira.
Para facilitar a escolha dos interessados no assunto, destaquei a lista abaixo que é entre a comunidade que vive no Irã os mais recomendados.




Todos os homens do Xá
Autor: Stephen Kinzer
Livro original em inglês: All the Shah's men

Poucos livros em português abordam tão bem a história iraniana até 1979 quando acontece a Revolução Islâmica.




O Irã sob o Chador
Autoras: Adriana Carranca e Marcia Camargos
Link: Google Books 
    Este livro é mais superficial e há algumas informações que na minha opinião estão equivocadas/ erradas. Há também cópia de trechos grandes do livro acima citado.









    The Ayatollah Begs to Differ: The Paradox of Modern Iran
    Autor: (Hooman Majd)










    Tehran Blues: Youth Culture in Iran 
    Autor: Kaveh Basmenji








    A History of Modern Iran
    Autor: Ervand Abrahamian









    Culture Shock - Iran 
    Autor: Maria O'Shea









    The Ayatollah's Democracy – An Iranian Challenge
    Autor: Hooman Majd









    In The Rose Garden Of The Martyrs
    Autor: Christopher de Bellaigue
    Link: Google Books









    26 de março de 2012

    Equívocos quanto ao Irã:



    As mulheres vestem burca. - Não há mulheres vestindo burcas! Provavelmente você nem saiba o que é uma burca. A burca é o traje que cobre totalmente a mulher (inclusive o rosto) e é usado majoritariamente no Afeganistão. Todas as mulheres no Irã têm suas faces à mostra. A vestimenta varia de: Chador (o mais conservador), Maghnaeh (é tipo um capuz, usado especialmente nas instituições de ensino e trabalhadoras em estabelecimentos comerciais) e o simples lenço cobrindo parcialmente os cabelos.
    A burca não existe no Irã!

    Garota da esquerda veste CHADOR. As demais vestem MAGHNAEH, exceto eu e a menina de  lenço branco.



    É um lugar perigoso. Há atentados terroristas. - Em questão de segurança, o Irã muitas vezes é associado à situação dos países que fazem fronteira com ele, tais como Paquistão, Afeganistão e especialmente Iraque. No entanto, o país é bastante seguro, existindo relativa insegurança apenas na região do Baluchistão, fronteira com o Paquistão.

    Famílias e amigos iranianos fazendo o que mais gostam: piqueniques!


    As pessoas andam de camelos. - Os únicos camelos que eu ouvi falar que existem por aqui são alguns disponibilizados a turistas que desejam fazer expedições em áreas desérticas. Querendo ver camelos mesmo, no cotidiano, recomendo ir ao Rajastão, na Índia.

    O clima é sempre muito quente. - O verão iraniano é sempre muito quente. No entanto, o calor restringe-se a 3 ou 4 meses por ano. No inverno, Teerã e outras cidades do país chegam a temperaturas abaixo de zero, e é bastante comum nevar. Há várias estações de esqui no Irã e os preços são atrativos comparados com outras estações de esqui pelo mundo.


    Monte Damavand (1 hora de Teerã) ao fundo. Temperatura: -9,5 graus Celsius.



    Não há marcas/ produtos internacionais disponíveis. - Diferente do que se imagina a respeito das sanções aplicadas ao Irã, o cidadão local tem acesso a quase tudo, inclusive marcas americanas como Coca-Cola (nas versões normal, diet e zero) e Pepsi. Há até lojas oficiais de marcas internacionais, por exemplo: Adidas, Nike, Salomon, Mango, Esprit, Geox, Benetton, WMF, LG, Samsung, Porche, Crocks, etc e até marcas brasileiras como Tramontina e Yogoberry. No entanto, não existem franquias de alimentos, tais como McDonalds, Pizza Hut e Burguer King. Nesta onda de marcas internacionais, a grande sensação do momento é o anúncio que em breve será inaugurada em uma das avenidas mais importantes de Teerã uma loja autêntica da Victoria Secrets (os rapazes já estão ansiosos para saber como será a vitrine...).

    Só a religião islâmica é permitida. - A constituição iraniana reconhece 3 outras religiões além do islamismo: o cristianismo, o judaismo e o zoroastrismo. São religiões respeitadas, porém consideradas arcaicas, já que Deus teria enviado, através de Maomé,  a versão “mais recente” de seus ensinamentos. Maomé e o Alcorão são posteriores à Bíblia, e portanto seriam a palavra final de Deus. Já as religiões que surgiram posteriores a Maomé, como a Bahai, não são bem aceitas, possivelmente por colocarem o islamismo na mesma condição de "desatualizada".

    Igreja Católica em Hamadan/ Irã.

    Os iranianos são árabes. - Este erro é bastante comum entre os ocidentais e motivo de grande ofensa para os persas. Possivelmente a confusão surge pelo fato de árabes e persas seguirem a mesma religião e pelo nome Irã e Iraque ter uma sonoridade parecida. No entanto, os iranianos não vêem motivos para a confusão, e proferem uma lista interminável de diferenças que os distinguem como um povo único: possuem uma cultura milenar, possuem famosos filósofos e poetas, são originários da raça ariana, têm uma língua própria (com origem indo-européia), culinária distinta, etc.


    Os iranianos falam árabe. - Apesar do alfabeto ser praticamente igual ao árabe (há algumas letras que são exceção), a língua e a gramática são totalmente diferentes. Um exemplo interessante é o fato da língua árabe não ter o som do “p”, que na língua farsi (ou persa) é comum.

    O país vive uma completa ditadura. - Cargos políticos como presidente, governadores, parlamentares, são eleitos por voto direto. Homens e mulheres podem votar, sem restrições. No entanto, acima do presidente está o Líder Supremo Religioso, que tem o poder de vetar em última instância eventuais medidas que desagradem a religião islâmica. O Líder Supremo também pré-aprova os candidatos que disputarão as eleições.

    As mulheres não podem dirigir. - Podem sim dirigir e não há nenhuma restrição neste sentido.


    Eu dirigindo em Teerã.

    As mulheres não têm direitos. - Muito da fama das supostas restrições impostas às mulheres no Irã vem da situação delas na Arábia Saudita. No Irã, mulheres podem votar, trabalhar, serem eleitas a cargos políticos, dirigir, estudar (inclusive são maioria nas universidades). Porém, no Irã, ainda não podem: cantar sozinhas na frente de homens (exceto coros), sair do país sem a autorização do pai ou marido, serem eleitas para presidente e serem juízas. Em juízo, o testemunho de uma mulher vale metade do do homem.

    Não há festas. - De fato não há discotecas, mas as festas ocorrem nas casas, escondidas, com muito som, bebidas e, acreditem, roupas minúsculas (mini saias e tops são os preferidos das iranianas)!

    Festa em Teerã.

    Os iranianos não gostam de estrangeiros. - Super errado pensar isso! Os iranianos são um dos povos mais hospitaleiros que existem e adoram receber estrangeiros. Não é difícil acontecer de um iraniano convidar um desconhecido turista para tomar um chá em sua casa. E não estranhe também se eles quiserem trocar telefones, e-mails e tirar fotos com você.

    Não há Facebook. - Oficialmente não há mesmo. Mas com as tecnologias de VPN, todos têm acesso e perfil no Facebook. Muitos estabelecimentos comerciais (lojas e restaurantes), ao invés de terem um endereço web na internet, preferem ter um perfil no Facebook (grátis e fácil de usar).

    Não possuem tecnologias avançadas. - Especialmente na área de nanotecnologia e nuclear, o Irã tem tecnologia superior à brasileira. 


    19 de março de 2012

    Feliz 1391! Feliz ano novo Persa!



    Já expliquei na postagem "Primeiros aprendizados" que o calendário por aqui não é o mesmo. O ano é contato a partir do evento da fuga de Maomé de Meca para Medina (que no nosso calendário aconteceu em 622 DC) e a virada do ano é festejada no dia da chegada da primavera, normalmente no dia 21 de março. Este grande dia de festividade chama-se NOWRUZ (que pode ser escrito de diversas formas no nosso alfabeto: noruz, norooz, etc), e significa: "dia novo".

    O Nowruz é o grande feriadão do Irã que dura de 1 a 2 semanas, o primeiro para os estabelecimentos comerciais e o segundo para as férias de colégios e universidades. Tradicionalmente no Nowruz as pessoas trocam presentes, recebem uma espécie de "décimo terceiro" de seus empregadores e outras gorjetas de pessoas que dependam de seus serviços. Por exemplo: é comum dar um "presentinho" ao pessoal que te atende no banco ou em repartições públicas, ao pessoal que trabalha no seu condomínio, a sua faxineira que vem apenas 1 vez por semana, etc. Não raro, os presentes são moedas de ouro (que estão custando na faixa de 400 dólares) e um bom patrão é persuadido a ter um bom saco destas moedas para distribuir para seus empregados.

    O feriado de Nowruz é a ocasião também para a "grande faxina". É quando os persas lavam seus inúmeros tapetes, retiram tudo dos armários para fazer uma grande limpeza e jogam muita coisa fora para comprar novo. Esta faxina deve ser concluída antes da virada do ano novo, para ter um ano sem coisas velhas e sujas dentro de casa.

    Na madrugada da última quarta-feira do ano, há a tradição de soltar fogos de artifício, dançar, cantar e pular fogueiras. A idéia de saltar sobre o fogo simboliza deixar as coisas ruins para trás, queimar as doenças, e começar um ano novo com saúde. Enquanto pulam as fogueiras, cantam músicas que dizem "Meu amarelo é seu, seu vermelhidão é meu" o que significa "Minha palidez (doença, dor) para você (o fogo), a sua força (de saúde) para mim.". Um iraniano contou-me no dia seguinte que em sua rua as mulheres estavam sem seus véus festejando alegremente a grande festa do ano.

    Mesa para celebração do Ano Novo Persa: o Noruz.
    Mesmo com o governo indo a TV para explicar que estas festividades eram superstição (já que não possuem origem islâmica e sim da religião antiga persa: o zoroastrismo), as pessoas não parecem muito interessadas em seguir estes "conselhos". O Nowruz está por tudo, no comércio, nas casas e nas ruas.

    Falando em enfeites, o grande simbolismo do Nowruz é uma bela mesa montada com diversos elementos, cada um simbolizando algo positivo para o novo ano. Regra básica é ter (pelo menos) 7 elementos que comecem com a letra "S" (ou " ") no alfabeto persa. Os mais importantes são:


    Sabzeh - brotos de sementes.
    Simbolizam o renascimento.


    Serkeh - Vinagre.
    Simboliza a idade e a paciência.



    Samanu - pudim doce.
    Simboliza a riqueza.
    Seeb - Maça.
    Simboliza a beleza e a saúde



    Seer - Alho.
    Simboliza o remédio ou a cura.
    Somagh - Frutinha vermelha.
    Simboliza o nascer do sol.



    Senjed - Frutas secas.
    Simboliza o amor.







    Outros elementos começando com a letra "S" podem ser complementados:

    Sonbol - flor que simboliza a chegada da primavera.
    Sekkeh - moedas. Simbolizando a prosperidade ou riqueza.



    Outros símbolos importantes são:


    Espelho e vela simbolizando a felicidade e a iluminação.
    Ovos simbolizando a fertilidade.






    Uma laranja dentro da água simboliza a terra flutuando no espaço.
    Alcorão representa o respeito pela religião.


    Peixinhos dourados simbolizam a vida e o signo de Peixes.



    Achou muito trabalhoso e espaçoso montar a mesa para o ano novo Persa? Não se preocupe! As lojas estão preparadas para te vender um "kit noruz" do tamanho de um prato de jantar:

    Kit Noruz 1

    Kit Noruz 2







    Feliz ano novo! Noruz Mubarak!


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