26 de março de 2011

Safari ao Lago Turkana (norte do Quênia) - dia 6 de 8 (16/02/2011)

Eram por volta das 3 da manhã quando finalmente um ventinho fresco começou a entrar pela porta da choupana. Pude dormir um pouco com a brisa, mas voltei a acordar com relâmpagos. Seria chuva mesmo que estava por vir? A última tinha acontecido em abril de 2010, quase um ano atrás.
De fato, pouco tempo depois, começou a chover, e muito forte. Em poucos minutos começaram a aparecer as goteiras dentro de nossa choupana, em cima das camas e de nossas roupas e mochilas. Levantamos rapidamente e começamos a ensacar tudo. A solução otimizada para reduzir a área que seria molhada foi empilhar todas as mochilas, deixando a do Rafael, que tinha capa de chuva, por cima. Vesti meu corta vento e colocamos os colchões em pé para não pegar tantas goteiras. O vento soprava forte e tivemos que colocar um galão de água como peso para segurar a porta de esteira. Eu ria muito daquela situação e falava: "...e ainda estamos pagando para estar aqui". hahaha
Quando a chuva reduziu, colocamos os colchões de volta e tentamos dormir. As goteiras já não eram mais tantas e eu estava cansada.

O dia amanheceu com chuva leve. Ir ao banheiro sem teto se tornou uma aventura ainda maior. Algumas choupanas que ainda estavam em construção tinham se desfeito parcialmente. Não tinha onde sentar no café da manhã, pois tudo estava molhado.

Fomos visitar a vila El-Molo ainda garoando. No caminho, dezenas de rios tinham se formado onde antes era pura areia e pedras. Mas as pessoas estavam felizes! Vi uma mulher com os seios a mostra, vestindo apenas uma saia, dançando na beira de um rio que tinha se formado. Parecia ser uma celebração.

Ao chegarmos na vila, muitas crianças vieram ao nosso encontro. Restos de latas de comida de ajuda humanitária dos Estados Unidos estavam por toda parte.

Chegada à vila El-Molo.

Vila El-Molo.
Casa de palha com porta feita das latas de alimentos recebidas dos EUA.
Crianças com roupas doadas.O pequenino ao meu lado acompanhou-me durante toda a visita.
É difícil ver pessoalmente a condição destas crianças. Especialmente porque parece que pedem para ser levadas contigo. Um dos menores meninos que estava na vila, logo pegou na minha mão com tanta firmeza que só me largou quando eu tive que ir embora. Vendo-o caminhar na chuva com seus pezinhos descalços naquelas pedras, era de cortar o coração, mas apesar disso ele me olhava com aquele jeito inocente das crianças e sorria.

O pequenino ficou comigo durante toda a visita.

Achei linda esta foto!
Durante a visita vimos peixes abertos postos a secar, partoreiros cuidando de suas cabras, mulheres cuidando de suas crianças e vendendo artesanato. Felizmente hoje em dia, a ajuda humanitária trás água potável para a vila. Em um passado recente, todos bebiam a água alcalina do lago, o que causava altas perdas de cálcio na população, claramente perceptível pelos dentes de cor marrom e pernas mais curtas dos adultos.

Mulheres vendendo colares com missangas coloridas.

Objeto tradicional dos pastoreiros: banquinho para sentar e colocar a cabeça para dormir. ("melhor do que se encostar nas pedras" - justificavam)

Pastoreiro com suas cabras, cajado e "banquinho" de sentar e deitar.

No fim da tarde fizemos um passeio de barco que nem todo mundo da turma encarou. Não foi nada demais, e nem vimos os famosos crocodilos de perto.


Fim de tarde no lago Turkana

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