31 de dezembro de 2009

Canoa Quebrada - Ceará


Chegada: 28/12/2009
Partida: 30/12/2009


A primeira impressão foi péssima: um amontoado de casas em cima da rua, sem calçadas, com vias de mão única. Bagunça geral.



Eu não queria nem ficar. Queria seguir direto para Paraíba. Almoçamos e decidimos ao menos “sondar” as pousadas e seus custos.


Tivemos a grande felicidade de encontrar uma pousada das mais agradáveis: lindo jardim, piscina, quarto enorme, banheiro novo, varanda com rede e uma linda vista para o mar. O café da manhã servido na varanda de forma individual (com tapioca, panqueca, omelete, etc). Preço: R$ 150 o casal. Depois de algumas hospedagens de terceira categoria como em Canto do Buriti (vencedor do pior hotel da viagem: o chuveiro era um cano na parede e a “cama” não tinha lençol! Mas acreditem, era o melhor da cidade que resolvemos pernoitar.) achamos que merecíamos este agrado.




Praia de Canoa Quebrada circundada pelas falésias.


A segunda impressão da cidade foi melhor. Desta vez a pé, passeamos pela praia e pelo calçadão de restaurantes e de agitos (rua Broadway), onde entendi melhor a cidade e até gostei. Particularmente a noite, quando a temperatura está amena e os bares iluminados, o calçadão fica muito bonito e estiloso com os artesanatos hippies locais. O local também é muito frequentado por gringos de diversas nacionalidades, rapidamente identificados pela coloração “tomate torrado da praia”.








Ponto alto do local: passeio de bugue a R$ 200 o veículo - leva a turistada até a praia de Ponta Grossa, parando em diversas locais para fotos e banhos. As falésias são uma constante nestas praias. Em uma pousada de beira de praia tinham esculturas feitas nas falésias para visitação, fixadas com cimento. O guia local informou que hoje em dia é proibido fazer estas esculturas. Uma turista ficou indignada, dizendo que era um absurdo, afinal não estava estragando nada. Eu quase surtei com o comentário dela e tive que me manifestar: como não estragava se para fazer as esculturas era necessário retirar partes da falesio para fazer o alto-relevo, bem como adicionar CIMENTO!? Cada uma...


Escultura NATURAL da natureza nas falésias.

De bugue é possível ir até Natal pelas praias. Deve ser uma baita viagem!



Jangadas típicas da região.


Achei curioso: água doce brotando na praia, algumas vezes até formando piscinas naturais ao lado do mar. Em uma delas paramos para tomar banho. A água brotava de uma profundidade que não tinha como tocar o chão com os pés. A areia ficava borbulhando junto. Parecido com a piscina natural que visitei no Jalapão (TO): não tem como afundar, pois a água de empurra para cima.



Garganta do Diabo: nascente de água doce esculpiu um "cânion" no meio das falésias.

30 de dezembro de 2009

Fortaleza - Ceará

Chegada dia: 25/12/2009
Saída dia: 28/12/2009

A estrada de Teresina (PI) até Recife (CE) também foi interessante. Neste percurso, pudemos notar que pouco havia chovido neste início da época de chuvas e a caatinga estava do jeito que aprendemos na escola: seca, branca e desoladora. Foi interessante, pois como no sul do Piauí pegamos a caatinga verde após as primeiras chuvas de dezembro, ver nesta outra parte como ela é no período de secas foi impressionante. A natureza faz milagres incríveis!
Também achei curioso, antes de chegar a Fortaleza, a paisagem montanhosa que a estrada passa. Juntando as montanhas e o seco da caatinga, parecia que estávamos trafegando pela Bolívia e nada fazia crer ser uma estrada para chegar ao litoral com praia e água de coco.

A cidade de Fortaleza me surpreendeu. Uma cidade grande, com mais de 2,5 milhões de habitantes, mas organizada e bem sinalizada. Exceto pelo fato que no centro, são intermináveis as calçadas e galpões com camelôs. É o paraíso do CD/ DVD pirata (vimos até 2 policiais comprando alguns!), bem como de controles remotos para todo tipo de aparelho!

Nos hospedamos na praia do Futuro, mas a "muvuca" da praia era tanta que só demos uma espiada na praia e nos mandamos para o centro procurando pelos prédios históricos e atrações culturais.

Gostamos muito do Mercado Central: um prédio enorme arredondado com lojas de artesanato da região. Tem de tudo no local.



Mercado Central

Tentamos visitar o Teatro José de Alencar, mas como sempre é frustrante fazer turismo no Brasil, em pleno sábado estava fechado (só abre em dias úteis...).



Teatro José de Alencar

Outro local bacana foi conhecer o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Um complexo que possui de tudo um pouco: planetário, auditório, cinema, exposições, livraria, biblioteca, etc. Lá passamos uma tarde vendo várias exposições de arte.



Casas antigas bem conservadas ao lado do Centro Cultural Dragão do Mar

Um local que eu queria ter ido era o Beach Park. O maior parque aquático da América do Sul. Porém a "macumba" do Rafa foi forte já que ele é meio quadrado para parques de diversão e eu caí doente, provavelmente devido às muitas frutas e água de coco que consumi até o momento... ;-)



Rafael feliz por ter encontrado "sua casa".

28 de dezembro de 2009

Teresina - Piauí

Saímos de São Raimundo Nonato por outra rodovia que o GPS não mostrava, nem tampouco o mapa da 4 Rodas apresentava estar asfaltado. No entanto, conversando com "os locais" descobrimos uma nova rota para a capital do Piauí, fugindo dos intermináveis buracos que passamos desde Canto do Buriti. Por este trajeto, tivemos a oportunidade de passar e "conhecer" numa rápida exploração, a antiga capital do Estado (que eu nem sabia que tinha tido outra que não fosse Teresina). A cidade chama-se Oeiras e estava surpreendentemente bem conservada, com suas casas coloniais bem pintadas, cada uma de uma cor.

Pelas estradas do Piauí podemos dizer que conhecemos bem seu interior, que representa bastante bem o Brasil semi-árido. O povo não parece ter muita coisa para fazer e fica sentado com suas cadeiras do lado de fora de suas casas vendo os "forasteiros" passarem. Aqui tenho me sentido uma estranha no meio do povo, um pouco como na India, onde a branquela loira aqui não podia passar despercebida. Não querendo fazer comparações descabidas, mas há outros itens que me recordaram a India, como os animais soltos pelas ruas (alguns na cidade "pastando" no lixo), falta de consciência em relação ao lixo, motoqueiros sem capacetes e pedidos nos restaurantes não atendidos conforme solicitado. Na India quando eu pedia alguma coisa SEM determinado ingrediente, aí sim é que vinha repleto do mesmo! Isso aconteceu algumas vezes por aqui...


Perigo constante nas estradas... São tantos jegues que já se desvalorizaram: por 5 pila você leva um para casa.



TERESINA - Curiosidades:
  • Foi a primeira capital planejada do Brasil.
  • É a única capital da Região do nordeste que não se localiza às margens do Oceano Atlântico.
  • É polo de sáude, possuindo diversos hospitais e medicina especializada que atrai pacientes de outros estados da região Norte e Nordeste.
Algumas Comidas Típicas da região do Piauí:
  • Capote (galinha d'angola) - comemos da ceia de natal!
  • Bode assado (e outras formas que não tive o "apetite" para experimentar)
  • Paçoca (com carne de sol e farinha)
  • Galinha Caipira

Rodamos bastante a pé por Teresina. Pegamos um hotel no centro, uma região muito turística durante o dia e bem movimentada, porém um deserto a noite.
Infelizmente, por ser justamente no dia de Natal que estávamos circulando, os locais turísticos estavam em sua maioria fechados. (também não são tantos assim...) 

Um local aprazível que fomos foi o encontro das águas (similar ao de Manaus, porém com rios de menor proporção). Os 2 rios que se encontram na cidade de Teresina são o Poti e o Parnaíba. No local há uma bonita estrutura para recepcionar os turistas, com banheiros, cabanas com artesanato e um restaurante flutuante.


(foto da wikipédia)



Restaurante flutuante.



Rafael no encontro das águas e nossa refeição: um peixe da região na chapa com repolho por cima.



Estátua da lenda "Cabeça de Cuia"

PERIGO VIVIDO: No final da noite de Natal, inicou uma chuva das boas mesmo!! Era muita água, mas não imaginávamos que em poucos minutos as ruas seriam tomas pela correnteza. Inocentemente, pegamos o carro para voltar ao hotel e nos deparamos com cenas que vemos na TV das grandes enchentes. Sério! Ficamos com muito medo do carro ser arrastado e de termos que sair a nado. Havia ruas simplesmente intransitáveis. Mais uma aventura no Piauí... Depois de passar por isso começamos a entender o motivo das valas / canais de drenagem, serem tão exagerados pelas ruas (chegam a parecer uma "lombada" ao contrário).
Este é o problema da região: períodos longos de seca e quando chove, é um absurdo de tanta água.


24 de dezembro de 2009

Alguns vídeos da Serra da Capivara



Inscrições rupestres e explicação no "Baixão da Vaca"



Por dentro de um dos cânions.




Inscrições rupestres em seixos.





Visão de parte do Vale Do Parque Nacional da Serra da Capivara

Serra da Capivara

Um turismo inusitado: viagem pelo interior de Piauí. Alguém sabe o que tem por aqui?
Simplesmente a maior concentração de sítios arquelógicos do mundo! Além disso, até o momento, é o local onde foi encontrado indícios de civilização humana mais antigos das Américas. Tudo isso na exuberante serra que não possui capivaras... O nome, segundo nosso guia, veio do sobrenome de um senhor, antigo proprietário de parte das terras que viraram parque nacional.


Você não encontrará capivaras, mas poderá com alguma sorte ver muitas espécies de fauna.
A Serra da Capivara é também o único parque nacional oficial na região de caatinga. Nesta época do ano, as árvores estão lindas: de galhos brancos retorcidos e “mortos”, após as primeiras chuvas de novembro ou dezembro, surge uma linda floresta verde em poucos dias (cerca de 15, segundo o guia). Nossa visita deu-se justamente nesta época. Caatinga verde! (e eu que no colégio só aprendi que a caatinga é seca...)


O parque, apesar de remoto e de difícil acesso pelas estradas esburacadas até a cidade base, é muito bem organizado: várias guaritas com vigias para acesso aos sítios arqueológicos, passarelas, sinalização (até em inglês), casas de apoio com toaletes, lanchonete e auditório.


Sobre as inscrições rupestres, elas são muito impressionantes, tanto pela quantidade, como pela nitidez. Em um dos principais sítios que visitamos, tinham mais de 4 cores nos desenhos: vermelho (sempre), amarelo, branco, cinza... Os desenhos representam cenas de caçadas, danças, sexo e rituais.


É uma pena que tão lindo parque não seja de maior conhecimento dos brasileiros.
Dizem que está para abrir um aeroporto internacional na cidade. Por enquanto, nem um nacional existe com linhas aéreas ativas.




Estruturas com passarelas possibilitam boa visibilidade das inscrições rupestres e preserva o solo que ainda não foi escavado.



Alguns desenhos ao fundo.



Parece que toda cidade tem uma: Pedra Furada! ;-)



Visão panorâmica de PARTE do parque! Lindo e enorme! (vejam o verde da caatinga!)


Fim do dia e merecemos experimentar uma Cajuína (refresco típico do Piauí)

Brasília - Piauí

Saída de Brasília dia 19/12/2009 às 14 horas.
Pernoite [1] em Luis Eduardo Magalhães (BA) - o objetivo era ter dormido em Barreiras (BA), mas como saímos tarde de Brasília...
Novo pernoite [2] em Canto do Buriti (PI) para na manhã seguinte chegar em São Raimundo Nonato (PI), cidade base para a Serra da Capivara.

Fomos na aventura de pegar as “BRs” que ligam nossa capital do país a Teresina (PI). O guia 4 Rodas que dispúnhamos (edição 2007), apresentava alguns trechos precários e outros de terra. A confiança era grande de que a estrada estivesse melhor e o guia desatualizado.
Bom, alguns trechos realmente estavam péssimos, mas nosso bravo e velhinho Fiat Uno sobreviveu. Então estamos recomendando a estrada, já que a viagem por si só já vale o trajeto.

Não é mito que no Piauí tem muito jegue. Foi só cruzar a fronteira que começamos a encontrar muitos pela estrada! Sorte que estávamos trafegando durante o dia. Além disso, boiada também tem de monte pelo asfalto. Dejavu da Índia. ;-)

Encontramos também muitos grupos de cabras, porquinhos, galinhas,...

Recomendo apenas viajar durante o dia pelo Piauí!!


Dando uma paradinha para a boiada passar...

18 de dezembro de 2009

Nordeste do Brasil


Próxima viagem: nordeste do Brasil.
Provável saída: 19/12/2009.

Roteiro:

Saída de Brasília > Teresina (PI) > Fortaleza (CE) > Mossoró (RN) > João Pessoa (PA) > Porto de Galinhas (RE) > Estrada da "Rota Ecológica" (AL) > Maceió (AL) > Aracaju (SE) > Brasília

Cortado Maranhão por não ser época adequada para apreciar os lençõis maranhenses (época de seca).


5 de dezembro de 2009

Frases para inspirar



Amyr Klink no seu livro MAR SEM FIM escreve:

“Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o seu próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. Não há como não admirar um homem – Cousteau, que ao comentar o sucesso do seu primeiro grande filme falou: “Não adianta, não serve para nada, é preciso ir ver” Il faut aller voir.
Pura verdade, o mundo na TV é lindo, mas serve para pouca coisa. É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo”.
E mais:

"Tanta gente vive em circunstâncias infelizes e, contudo, não toma a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo, tudo isso que parece dar paz de espírito, mas na realidade nada é mais maléfico para o espírito aventureiro do homem que um futuro seguro."

Christopher McCandless (Alexander Supertramp), em carta enviada a Ron Franz.
Histótia real retratada no filme: Into the Wild - Na natureza Selvagem

O personagem principal toma algumas atitudes bastante inconsequentes, mas há também muito a nos questionar com suas aventuras.


Acredito muito no que descobriu Christopher McCandless no final de sua jornada ao viver sua aventura solitaria:

"A FELICIDADE SÓ É VERDADEIRA QUANDO É COMPARTILHADA"
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