9 de agosto de 2010

Não conta lá em casa...

Uma "atração" obrigatória no Irã são as casas de chás (teahouse). São locais onde você pode almoçar ou jantar e, lógico, tomar chá. Estas casas são bem famosas no oriente médio, mas particularmente o sabor do chá não tem nada demais: parece um "mate leão" normal. Inclusive, alguns, vinham com etiquetas de marcas européias.

Cházinho e muitos tapetes. Calçados ficam do lado de fora.
Thomaz iniciando o ritual enquanto eu ainda estava no chá.


Já que o chá não é o atrativo definitivo, os ambientes o são. Encontrando uma boa indicação, pode-se passar horas sentado em tapetes persas, apreciando uma boa decoração e quem sabe, fumando um narguile. Uma casa de chá imperdível é a de nome HEZARDASTAN localizada na cidade de Mashhad, curiosamente a mais sagrada do Irã, região de muita peregrinação de fé.

Eu não sou de fumar e nunca fui, mas este ritual comunitário deve ser experimentado pelo menos uma vez e especialmente em um local tão típico. Pode-se escolher o fumo com sabor dos mais diversos: maçã, pêssego, menta. O carvão e a erva ficam no topo da geringonça e a fumaça é filtrada pela água.


Brincando de fazer fumaça... Fácil, fácil. Já dominei! (...)
Será???


Funcionamento do Narguile:


Algumas horas depois...


Ressaca do fumo: enjôo terrível e dor de cabeça. Marinheira de primeira viagem... Só com Dramin e muita água para resolver.

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5 de agosto de 2010

Caravanserai Zein-o-din

A primeira questão a ser esclarecida é o que é um CARAVANSERAI.
Entre 1575 e 1585 o Shah Abbas construiu 999 famosos caravanserais para promover o comércio no Irã. Eram pontos de apoio para os comerciantes poderem se hospedar e se recuperar dos dias de caravanas pelas regiões desérticas da Pérsia. Estas instalações foram construídas nas regiões da Ásia, norte da África e Sudoeste Europeu, especialmente ao longo da rota da seda.
Este número de 999 é bastante curioso não? Afinal por que ele não construiu de uma vez uns 1000 para arredondar? Na verdade ele de fato construiu 1000, mas o número se tornou tão impreciso, parecendo que tinham "arredondado" para maior, que o cara mandou destruir um deles! Marketing é tudo e depois as lojas de 1,99 copiaram a idéia. ;-)


O Caravanserai por fora.

Atualmente estas construções não existem mais para o mesmo propósito, alguns viraram museus, outros destruíram-se com o tempo, e este ZEIN-O-DIN virou hotel! O preço não é o atrativo (48 euros com jantar e café incluso), mas a experiência é única: hospedar-se no meio do deserto, em quartos separados apenas por cortinas, colchões arrumados no chão, ambientes decorados com tapetes persas e uma construção no estilo fortaleza. Os banheiros, apesar de serem compartilhados, estavam impecavelmente limpos e existiam mais opções de privadas no estilo ocidental que no estilo local (de cócoras): provavelmente um indicativo que o hotel é usado essencialmente por turistas europeus. Outra particularidade deste Caravanserai é que ele foi construído no formado arredondado: a maioria normalmente é quadrada.


Tivemos a sorte de nos hospedarmos em uma linda noite de lua cheia...


...que apreciamos no terraço fumando um Narguilé.

Os corredores internos e os quartos separados por cortinas.
O meu era esse com o tênis do lado de fora: dentro só de chinelinho.

 
Veja no vídeo abaixo imagens por fora e por dentro do Caravanserai:


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Mulher Invisível

Registro fotográfico do Rafael comprovando que o homem invisível agora tem companheiras no mesmo estilo.


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4 de agosto de 2010

Persépolis - a jóia da Pérsia

As ruínas de Persépolis, antiga capital da Pérsia, são realmente impressionantes, especialmente considerando que estas construções foram erguidas há mais de 2500 anos. Persépolis foi declarada patrimônio da humanidade pela UNESCO em 1979 (link).

Visões incríveis dos vestígios das antigas e influentes civilizações.





Há o registro de diversas "personalidades" que visitaram Persépolis ao longo das últimas décadas. Nesta inscrição: um dos assessores de Hitler.








A engenharia das junções das peças.

Culinária Iraniana

É engraçado, mas pesquisando na internet sobre a culinária iraniana você só encontra elogios e uma lista enorme de opções. A verdade é que na prática os restaurantes servem praticamente sempre a mesma meia dúzia de pratos, variando de acordo com a região ou cidade.

Você pode considerar que a lista é mais extensa se considerar todos os KEBABS listados nos menus dos restaurantes. KEBAB nada mais é que um churrasquinho e no Iran é servido no estilo "espetinho de gato". Neste caso você encontrará muitas "opções" no cardápio: kebab de frango, kebab de peixe, kebab de carneiro, kebab de camelo, etc. Normalmente vem servido com muito arroz (e um tablete de manteiga para derreter junto) e um tomate assado inteiro com casca.

Prato tradicional de kebab iraniano.
Os pratos acompanham SEMPRE limão e cebola crua.


Este foi um dos melhores kebabs que comemos no Irã. Veio acompanhado de batata frita, legumes cozidos e arroz temperado. Mas foi único e só encontramos em Teerã.


Em outros países o kebab pode ser encontrado de outras formas, a mais popular é no estilo de um "churrascão", e lascas são fatiadas e colocadas no pão - estilo fast-food / hamburguer. Este estilo não encontramos no Irã, mas é muito comum de encontrar nas ruas menos turísticas da Europa.








Alguns outros pratos iranianos:



O BERYANI é um prato que parece um hamburguer, feito com carne de carneiro e é servido com pão. É até gostosinho. Bom para variar um pouco. Ao lado do hamburguer vem um "farelinho" de carne também que tinha gosto de fígado ou algo assim.

TAH-CHIN: Prato constituído de arroz com ovos e iogurte no formato de um bolo. Por baixo tem um frango com molho de tomate. Acompanha repolho roxo em conserva extremamente ácido e que deixou esta cor rosada no prato.

FESENJAN é um prato com "bolas" de carne e molho de romã com noz. Muito gostoso mas difícil de encontrar nos restaurantes. É uma refeição comum nas famílias.

DIZI: Um prato bastante típico da Pérsia é o Dizi: um ensopado de carneiro e grão de bico. Quando servido, separa-se o caldo para comer com pão (que deve ser picado e jogado dentro da "sopa") e faz-se um "amassado" com os elementos sólidos (carne, grão de bico, tomate, cebola, alho, batata, ervilha).



Veja a "arte" do preparo com o "gourmet" Rafael no vídeo abaixo, auxiliado pelo Guilherme e comentado pelos demais do grupo:

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Outra característica curiosa da culinária iraniana é que apesar da enorme variedade de temperos e ervas, a maioria dos pratos vem com pouco sal. Para o paladar brasileiro é sempre necessário recorrer ao saleiro.


DOCES

Os doces são uma atração a parte. Há realmente muita variedade. Eu particularmente adorei o docinho branco com pistache e que parece o nosso torrone brasileiro, mas muito melhor.

Docinho de pistache - delicioso!


Confeitaria


3 de agosto de 2010

We are POP STAR 2

Conforme relatei na viagem para a Índia (We are POP STAR), há também no Irã certa fascinação pelos ocidentais. O que percebi de diferente é que o fascínio não é só pela cor de pele e cabelo como na Índia, mas pela possibilidade de contato com o ocidente, pelas informações que eles não dispõem e pela vida que eles imaginam que temos.

O que é mais tranquilo aqui é que os grupos que me abordavam eram essencialmente de mulheres, ou mulheres acompanhadas. Nunca apenas homens vieram conversar comigo. Neste caso o faziam diretamente com o Rafael. Na India a intrusão era de qualquer sexo.

Algumas mulheres após saberem que eu era casada, queriam saber se eu não tinha uma irmã solteira para casar com algum parente delas. Ficaram muito tristes de saber que minha única irmã também já era casada. ;-)

Então o recado para as solteiras está dado: querendo casar é só ir para a Índia ou Irã. O passe por lá está valorizado. hehehe


Estas meninas não falavam nada de inglês. Pediram-me um foto apenas com mímica.



As casamenteiras em busca de uma loirinha para seus parentes solteiros.

Grupo de estudantes de inglês

A moda islâmica na prática - como se vestir no Irã

Para preparar a mala é fácil: leve camisetes longas (que cubram o bumbum) e também de mangas longas. Os braços não podem aparecer, mas nada impede que você puxe as mangas um pouco para refrescar. As calças podem ser de todo tipo, inclusive um jeans mais apertado, só não apele para lycras colantes, apesar de vez ou outra também ser encontrada nas áreas mais modernas de Teerã.

Quanto aos sapatos, há de todo o tipo, desde os mais fechados até as sandálias abertas. Disseram-me que saltos altos não são permitidos, mas sempre vejo mulheres usando saltos até em trilhas. Na dúvida não custa usar uns baixinhos, já que as calçadas nem sempre estão em ótimo estado.

Para cobrir a cabeça, leve lenços leves para aguentar o verão Iraniano acima dos 40 graus Celsius. Para o inverno, será ótimo ter uns cachecóis mais espessos para esquentar as orelhas. Lembre-se que no Irã você não precisa tapar toda a cabeça e os cabelos normalmente aparecem na parte da frente. 

Os homens estão "quase" liberados no vestuário: regatas e bermuda não são permitidos na rua.

Para ver mais fotos de mulheres iranianas, acesse: Iran Woman Dress Code

Veja alguns modelitos das locais:



Eu e 4 iranianas de férias em Esfahan. Muitas cores neste grupo.


Grupo de Iranianos que pediu para bater fotos conosco. Os homens gostam muito de baby-looks e calças justas. Nesta foto da esquerda para a direita: iraniana 1, Thomaz (Brasil), Guilherme (Brasil), iraniano 2, Rafael (Brasil), iraniana 3 e iraniano 4.


Como vestir um CHADOR:

Não adianta: se você quiser conhecer os locais mais sagrados do Irã, terá que vestir este pretinho básico! Ou fica de fora. Em Mash'had eu entrei na moda local. Veja o vídeo abaixo:


video



A moda islâmica - conceitos

Depois destas férias no Irã, comecei a entender a diferença dos diversos trajes femininos no mundo islâmico. Antes, para mim, era tudo igual: panos pretos cobrindo tudo ou quase tudo.
No Irã, é possível ver quase todo o tipo de vestimenta (dentro dos padrões existentes e aceitáveis), apesar de eu quase não ter visto ninguém de burca.
Vamos aos modelitos:

O HIJAB é o modelo mais "moderninho". Pode ser usado com cores distintas e estampas. É muito comum o uso de lenços quadrados, dobrados ao meio e com as pontas amarradas abaixo do pescoço.








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O estilo AL-AMIRA é composto de 2 peças: uma mais colante a cabeça, parecendo um capuz, e outra parte mais solta por cima no formato de um tubo. Normalmente a parte colante nas moças jovens é colorida e a parte solta é preta.

O estilo SHAYLA também era chamado no Irã de HIJAB e nada mais é do que um longo lenço retangular colocado sobre a cabeça e com as pontas jogadas sobre os ombros. Este foi o modelo adotado por mim, por ser fácil de adaptação: basta pegar um cachecol (fino) e enrolar na cabeça e pescoço.

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O KHIMAR é tipo o capuz e normalmente é de cor preta. Parece ser de uso bem prático: tipo "vestir uma camiseta, mas ficar com a cabeça entalada".

Tive o prazer de experimentar um CHADOR nesta viagem. Algumas mesquitas exigem este traje para que as mulheres entrem. Nada mais é que um grande lençol (normalmente preto) cortado no formato de meia lua. Você pega o lençol, cobre-se desde a cabeça até os pés com ele e segura por dentro com as mãos para não abrir. Poderiam inventar uns grampos ou botões para facilitar...

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Este modelo estilo "sobretudo", JILBAB, deve ser ótimo para o inverno. Não vi muito no calor do verão do Irã.









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A BURCA  é um dos modelos mais polêmicos. Dentro deste traje você pode ter qualquer "coisa", inclusive o Osama Bin Laden circulando livremente. Por uma pequena tela, o ser existente dentro desta roupa tenta observar o mundo lá fora. Não vi ninguém no Irã com este modelo. Parece que é mais adotado no Afeganistão.

O NIQAB cobre toda a mulher exceto os olhos. Muitas aproveitam
para, do pouco que podem mostrar, colocar bastante maquiagem. Além disso, é hilário ver alguém com estes trajes e óculos escuros! É a própria caricatura do "homem invisível".



Homem Invisível: inspiração para os modelos mais conservadores.
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Fotos no Irã

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